Inclusão ainda esbarra em barreiras para pessoas com deficiência intelectual e múltipla

Psicologa Frinea Andrade CREDITO Instituto Dimitri Andrade 1

De 21 a 28 de agosto, a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla reforça o debate sobre inclusão, acessibilidade e garantia de direitos no Brasil. Instituída pela Lei nº 13.585/2017, a mobilização busca conscientizar a sociedade sobre as necessidades específicas e combater o preconceito e a discriminação. 

O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)  identificou 14,4 milhões de pessoas com deficiência com dois anos ou mais de idade, o equivalente a 7,3% dessa população. O levantamento considerou dificuldades permanentes relacionadas a enxergar, ouvir, andar ou subir degraus, realizar movimentos com as mãos e se comunicar ou desempenhar atividades relacionadas à cognição.

“Não basta reconhecer que as pessoas são diferentes. É preciso garantir condições para que elas possam participar da sociedade com autonomia, dignidade e segurança. A inclusão depende de adaptações, mas também de uma mudança de postura para que as barreiras não sejam colocadas sobre a própria pessoa”, afirma a psicóloga Frínea Andrade, diretora do Instituto Dimitri Andrade.

Deficiência não é sinônimo de incapacidade

A deficiência pode ser física, sensorial, intelectual ou múltipla e não deve ser compreendida apenas a partir das limitações individuais. As barreiras existentes no ambiente, na comunicação e nas relações sociais também podem restringir a participação da pessoa. “Uma escola sem recursos de acessibilidade, por exemplo, pode dificultar a aprendizagem de um aluno; da mesma forma, ambientes de trabalho sem adaptações podem limitar a autonomia e a participação profissional de pessoas com deficiência”, pontua a psicóloga.

A especialista explica que a deficiência intelectual pode afetar diferentes áreas do desenvolvimento, como a aprendizagem, a comunicação, a autonomia e a adaptação às situações do cotidiano. O suporte adequado faz diferença para que a pessoa desenvolva suas potencialidades e participe da vida social.

Diagnóstico e suporte precoce

Na deficiência intelectual, as limitações envolvem tanto o funcionamento intelectual quanto habilidades adaptativas necessárias para a vida cotidiana.  A identificação das necessidades de suporte desde a infância permite direcionar intervenções e estratégias de desenvolvimento. “Crianças com deficiência intelectual podem apresentar um desenvolvimento mais lento do que o esperado para a idade e encontrar desafios na adaptação e na aprendizagem. Identificar essas necessidades precocemente permite oferecer o suporte adequado”, afirma a psicóloga.

Autismo e Deficiência Intelectual

Deficiência intelectual e transtorno do espectro autista (TEA) não são sinônimos, embora possam ocorrer simultaneamente. “O autismo é uma condição do neurodesenvolvimento e algumas pessoas autistas também apresentam deficiência intelectual, enquanto outras não. O diagnóstico correto é importante para que as intervenções sejam feitas de forma coerente”, destaca a especialista Frínea Andrade.

Família também tem papel na inclusão

A família é uma das principais redes de apoio para a pessoa com deficiência, especialmente na infância e nos momentos de transição para novas etapas da vida. Ao mesmo tempo, a responsabilidade pela inclusão não pode recair exclusivamente sobre os familiares.

“A presença ativa da família fortalece os vínculos, ajuda a identificar as necessidades da pessoa e também contribui para que seus direitos sejam respeitados. Mas a inclusão não pode terminar dentro de casa. Ela precisa acontecer na escola, nos espaços públicos, no trabalho e em toda a sociedade”, afirma Frínea Andrade.