Afastamentos por Síndrome do Túnel do Carpo crescem e especialista alerta para os sinais do problema nas mãos

MEDICO ORTOPEDISTA ANDRE PIRES DA CLIFOR OLINDA CREDITO JULIA NASCIMENTO HORIZONTAL

Dormência nas mãos, formigamento, sensação de choque e dores que costumam piorar durante a noite ou ao acordar estão entre os principais sinais da Síndrome do Túnel do Carpo (STC), condição que afeta milhares de brasileiros e pode comprometer desde tarefas simples do cotidiano até a capacidade de trabalho. Dados da Previdência Social mostram o impacto crescente da doença. Em 2024, foram concedidos 35.309 benefícios por incapacidade temporária relacionados à síndrome. Já em 2025, esse número subiu para 44.270 afastamentos, um aumento de 25%. A estimativa é de que a síndrome atinja entre 3% e 6% da população adulta mundial, com prevalência significativamente maior entre as mulheres.

O ortopedista André Pires, especialista em cirurgia da mão da Clifor Olinda, explica a síndrome. “O problema ocorre quando o nervo mediano sofre compressão ao atravessar uma estrutura estreita localizada no punho, conhecida como túnel do carpo. Esse nervo é responsável por parte da sensibilidade e dos movimentos da mão. Quando há compressão, o paciente começa a perceber dormência, formigamento e dor, principalmente nos dedos. Em alguns casos, os sintomas podem irradiar para o antebraço”, explica.

O especialista destaca que os sintomas geralmente surgem de forma gradual e tendem a piorar ao longo do tempo quando não há tratamento adequado. “Muitas pessoas inicialmente acordam durante a madrugada com a mão amortecida ou com sensação de choque. Com a progressão da síndrome, podem surgir perda de força, dificuldade para segurar objetos e comprometimento dos movimentos finos”, afirma.

Mulheres são mais afetadas

A Síndrome do Túnel do Carpo é mais frequente no público feminino, especialmente em períodos marcados por alterações hormonais, como gravidez e menopausa. “Nessas fases, o aumento da retenção de líquidos pode favorecer o inchaço das estruturas do punho e aumentar a pressão sobre o nervo mediano”, destaca o médico André Pires.

Principais fatores de risco

  • Movimentos repetitivos e contínuos
  • Traumas, quedas e fraturas
  • Diabetes mellitus
  • Processos inflamatórios
  • Hipotireoidismo
  • Obesidade

“Quando o nervo permanece comprimido por muito tempo, aumentam as chances de sequelas permanentes. Por isso, o diagnóstico precoce faz diferença no resultado do tratamento”, ressalta André Pires.

Tratamentos disponíveis

O tratamento varia de acordo com a intensidade dos sintomas e o grau de comprometimento do nervo. Entre as opções estão:

  • Uso de órteses
  • Fisioterapia
  • Medicamentos anti-inflamatórios
  • Corticoides
  • Cirurgia

Nos casos mais avançados, a cirurgia pode ser necessária, principalmente quando há perda de força, comprometimento motor ou falha do tratamento clínico. “O procedimento cirúrgico é rápido, pode ser realizado de forma minimamente invasiva e tem como objetivo aliviar a compressão do nervo mediano por meio da liberação do ligamento transverso do carpo. Com isso, os sintomas, como dor e formigamento, tendem a regredir de forma significativa. A técnica apresenta altos índices de sucesso e baixos riscos de complicações ou recidiva”, explica o cirurgião da mão André Pires, da Clifor Olinda.