Quando a dor desce pela perna: entenda o que o ciático pode estar sinalizando

MARCIO CRISANTO medico ortopedista especialista em coluna da Clifor Olinda

Queimação, formigamento e perda de força podem indicar compressão do nervo; problema é mais comum com o avanço da idade

Nem toda dor nas costas termina na lombar. Quando o incômodo começa na região inferior da coluna ou nos glúteos e segue pela perna, podendo chegar até o pé, o nervo ciático pode estar envolvido. A chamada ciatalgia pode limitar movimentos e atividades cotidianas e, dependendo da causa, exigir acompanhamento médico.

“Uma das características que ajudam a identificar a dor ciática é justamente o caminho que ela percorre. O paciente pode sentir dor, queimação ou choque descendo pela perna, além de alterações de sensibilidade, como formigamento e dormência”, explica Márcio Crisanto, ortopedista especialista em coluna da Clifor Olinda.

O que provoca a dor?

Maior nervo do corpo humano, o ciático participa da movimentação e da sensibilidade dos membros inferiores. Quando alguma estrutura interfere em seu funcionamento, podem surgir os sintomas. Hérnia de disco, desgaste das articulações da coluna e osteófitos, popularmente chamados de “bicos de papagaio”, estão entre os fatores associados ao problema.

“Sedentarismo, falta de fortalecimento muscular e longos períodos em posições inadequadas são outros fatores que podem favorecer o surgimento de dores na coluna. Em situações menos comuns, processos inflamatórios e algumas infecções também podem estar relacionados ao quadro”, explica o médico ortopedista Lucas Sales de Melo, especialista em coluna da Clifor Olinda.

Home office pode agravar o problema

A rotina de trabalho em casa também merece atenção. Permanecer muitas horas sentado, trabalhar no sofá ou na cama e utilizar móveis sem estrutura adequada podem aumentar a sobrecarga sobre a região lombar. A falta de pausas para levantar e movimentar o corpo contribui para manter a musculatura por longos períodos na mesma posição, o que pode favorecer o aparecimento ou a piora das dores.

Nem toda dor nas costas é ciática

A localização e o comportamento da dor são importantes para diferenciar a ciatalgia de outros problemas musculoesqueléticos. Além da irradiação para a perna, o paciente pode apresentar dormência, formigamento e redução da força muscular.

“O exame clínico é fundamental para entender se existe, de fato, comprometimento do nervo e qual é a origem do problema. A partir dessa avaliação, é possível definir a necessidade de exames complementares e o tratamento mais adequado”, afirma o médico Lucas Sales de Melo.

Cirurgia é necessária?

O Especialista Márcio Crisanto explica que na maior parte dos casos, não. “O tratamento costuma começar com medidas conservadoras, que podem incluir medicamentos para controlar a dor, fisioterapia e exercícios para recuperar a força e a mobilidade. Alongamentos e atividades como Pilates e RPG podem ser incorporados ao processo de reabilitação quando indicados pelo profissional”, destaca.

Procedimentos como infiltrações com corticoides podem ser utilizados em casos selecionados. “A cirurgia é reservada para situações específicas, principalmente quando há compressão importante do nervo, déficit neurológico ou ausência de resposta ao tratamento clínico”, detalha o ortopedista.

Quando procurar atendimento?

Alguns sintomas não devem ser ignorados. Fraqueza que piora progressivamente, alterações para urinar ou evacuar e perda de sensibilidade na genitália são sinais que exigem avaliação médica imediata.

Fora das situações de urgência, a prevenção passa por manter o corpo ativo, fortalecer a musculatura, evitar o sedentarismo e cuidar dos hábitos que interferem na saúde da coluna. “Durante uma crise, o repouso absoluto deve ser evitado; a orientação, em geral, é reduzir as atividades que provocam dor e retomar os movimentos gradualmente, conforme avaliação profissional”, ressaltam os ortopedistas.