Dor no joelho significa que é melhor parar de praticar esporte?

Leonardo Monteiro medico ortopedista especialista em joelho CREDITO Dayvison Nunes

Sentir dor no joelho depois de correr, agachar,  fazer musculação ou praticar outro esporte é uma queixa comum e pode fazer com que muitas pessoas tenham medo de continuar se exercitando. O médico ortopedista Leonardo Monteiro, especialista em joelho, traz orientações sobre a prática de exercícios  para quem sente dor ou já tem uma lesão no joelho.

“Ter um problema no joelho não significa que a pessoa precisa parar de fazer exercício. O mais importante é entender o que está causando a dor e qual é a capacidade daquela articulação de suportar carga. A partir disso, podemos adaptar a intensidade, o volume, a amplitude e a execução do exercício”, explica o ortopedista Leonardo Monteiro, especialista em joelho.

Musculação e agachamento

O especialista explica que o fortalecimento muscular é parte importante da reabilitação de diferentes problemas no joelho e pode melhorar a função da articulação. Por isso, a musculação não precisa ser excluída da rotina de quem tem uma lesão. O treinamento, entretanto, deve respeitar o diagnóstico e a resposta do paciente à carga. 

Por ser um movimento presente em atividades cotidianas, como sentar e levantar de uma cadeira e subir ou descer escadas, seu fortalecimento pode contribuir para melhorar a capacidade funcional.

“O agachamento é um dos movimentos que mais geram dúvidas. Embora possa contribuir para o fortalecimento de quadríceps e glúteos, a profundidade, a carga e a execução precisam ser consideradas. O exercício pode ser muito útil, inclusive no processo de reabilitação. Em alguns casos, precisamos fazer adaptações até que o joelho esteja preparado para progredir”, afirma Leonardo.

E quem quer correr?

O médico ainda aponta que a corrida também não precisa ser encarada como uma atividade proibida para quem já teve uma lesão. Em casos como as lesões do ligamento cruzado anterior (LCA), por exemplo, o retorno ao esporte faz parte do processo de reabilitação, mas deve ocorrer de maneira progressiva e a partir de critérios clínicos e funcionais.

“Depois de uma lesão do LCA, o objetivo não deve ser simplesmente liberar ou proibir a corrida. Precisamos avaliar força, estabilidade, controle do movimento e a evolução da reabilitação. O retorno precisa acontecer de forma gradual, respeitando o estágio de recuperação de cada paciente”, detalha o especialista.

Quando a dor merece investigação?

Nem toda dor depois do exercício significa uma lesão, mas alguns sinais não devem ser ignorados. Inchaço recorrente, sensação de travamento ou falseio, perda de movimento, dor persistente ou sintomas que limitam a atividade física justificam uma avaliação especializada.

“Ter diagnóstico não significa parar de treinar. Com acompanhamento médico, intervenções e adaptações, o exercício continua sendo um aliado na saúde articular. O importante é não ignorar os sinais do corpo nem transformar o medo da dor em sedentarismo”, conclui Leonardo Monteiro, médico ortopedista especialista em joelho.