Ana Cristina Cunha apresenta a Casa Travessia DECA na CASACOR Pernambuco 2026

Ana Cristina Cunha apresenta a Casa Travessia DECA na CASACOR Pernambuco 2026. Foto Gleyson Ramos 1 scaled

Entre o nós que recebe e o eu que se resguarda, a arquitetura é o elo que faz da travessia um lugar para viver 

Há travessias que não se medem em distância, mas em profundidade. É nesse caminho entre a razão que projeta e a emoção que acolhe que nasce a Casa Travessia DECA, ambiente criado pela arquiteta Ana Cristina Cunha para a CASACOR Pernambuco 2026. Em 91 m², sala, cozinha, banheiro e quarto se organizam como estações de um mesmo percurso, no qual a arquitetura de interiores se transforma em experiência. A mostra acontece de 27 de outubro a 13 de dezembro, no Galpões Casario, no Novo Cais, no bairro de São José, centro do Recife.

O nome dialoga com o tema oficial desta edição, “Mente e Coração”. Para a arquiteta, a travessia é o caminho entre os dois pólos, e a arquitetura é o elo que transforma esse percurso em um lugar para viver. O projeto imagina uma pessoa que faz da casa um lugar de encontro. Ora é o “nós”: quem recebe, reúne e faz da sala, com a cozinha integrada, um ponto de partilha, onde a conversa se estende em torno da mesa. Ora é o “eu”: quem se reserva, guarda um tempo só seu e encontra no quarto, no banheiro e no espaço de autocuidado um território de silêncio e cuidado. Entre uma face e outra, nenhuma parede. Num ambiente único, a passagem acontece como um gesto, e quem habita a Casa Travessia DECA atravessa, quase sem perceber, o estar com o outro e o estar consigo.

“A Casa Travessia DECA propõe um percurso fluido, onde a arquitetura de interiores se transforma em uma experiência. Luz, arte e materiais conduzem o visitante por um ambiente que convida à pausa, mas também ao coníivio”, explica Ana Cristina Cunha.

Quem entra encontra uma paleta neutra e atemporal, porém viva, construída a partir dos tons dos produtos Dexco. A marcenaria, executada pela RHOR, empresa pernambucana de planejados, é toda em MDF Duratex, nos tons Marrom Retrô e Carvalho Brum. Da Portinari, a linha Vestígios, um lançamento da marca, reveste uma grande parede que recebe a obra de arte e segue, em diálogo, pelo quarto, pelo banheiro e pela cozinha. A pintura do teto e parte superior das paredes traz o azul marinho vibrante, da Coral, em um gesto que completa o conjunto.

É nesse cenário que a estante vazada se impõe como a ousadia do projeto. Desenhada pela própria arquiteta, ela guarda a intimidade sem criar barreiras: resguarda a área do “eu” sem fechá-la ao olhar. Por dentro, o porcelanato recortado em triângulos se encaixa na marcenaria, e a peça ainda abriga duas obras de arte em lona, aplicadas na frente e no verso da estante, assinadas por Adalgisa Campos, da Lança Galeria, de São Paulo. 

A arte espalha afetos pelo percurso. Além de uma obra de Burle Marx, que pertenceu ao acervo de Janete Costa, a arquiteta selecionou obras de Hildebrando de Castro, Montez Magno, Heloísa Juaçaba, Arorá, Tiago Sant’ana, Davi de Jesus do Nascimento,Yutaka toyota, Giorgia Volpe, Jonas Axel Wolthers, Nilson Pimenta, Marcos Siqueira, Francisco Brennand, e escultura  da artista contemporânea mineira Luana Vitra. Do acervo pessoal da arquiteta vêm os santos de roca de Mestre Serginho, de Garanhuns. “Sempre uso a arte popular nos projetos”, afirma Ana Cristina Cunha. Tapetes feitos sob encomenda convivem com tapetes persas e completam o mosaico de camadas e contrastes.

O mobiliário selecionado reúne assinaturas dos designers brasileiros  Sergio Rodrigues, Jader Almeida e  cadeiras de acervo particular como a cadeira da perna cruzada, de Luiz Philippe Carneiro, que a arquiteta define como “uma cadeira, mas na verdade uma obra de arte”. “Mais do que um espaço para morar, a Casa Travessia DECA é um convite à conexão entre o pensar, o sentir e o viver, o softlife”, completa a arquiteta, que chega à sua nona participação na CASACOR Pernambuco com 32 anos de experiência e cerca de 900 projetos assinados. 

A Casa Travessia DECA conta com obra da VLopes Engenharia, marcenaria da RHOR, mobiliário da Itálica, revestimentos Portinari, MDF Duratex e louças e metais DECA, do grupo Dexco, Tintas Coral e obras de arte de Adalgisa Campos, da Lança Galeria, e Dió Diniz.