Julho Neon e saúde bucal: Fraturas dentárias acendem alerta para antigas restaurações de amálgama e hábitos que enfraquecem os dentes

Cirurgia dentista Adriana Morosini CREDITO Mauricio Barreto

Durante o Julho Neon, especialistas alertam para o aumento de fraturas dentárias. Fatores como restaurações antigas de amálgama, dieta ácida e bruxismo têm elevado as perdas dentárias em adultos, prejudicando a qualidade de vida. A cirurgiã-dentista e implantodontista Adriana Morosini explica que o amálgama, material comum no passado, sofre alterações térmicas que geram fraturas tardias. Com o intuito de evitar fraturas ou infiltrações prejudiciais, indica-se uma avaliação preventiva dessas restaurações, priorizando a troca pelo material em resina.

A recomendação, segundo Adriana Morosini, é que essas restaurações sejam avaliadas pelo dentista. “Muitos pacientes acham que porque o dente está inteiro, não precisa trocar, mas esperar com certeza vai gerar quebras dentárias. A troca de restaurações de amálgama por resina não é obrigatória, mas é recomendada. A substituição é preventiva e evita fraturas, cáries secundárias ou infiltração”, esclarece.

Alimentação e estresse também contribuem para o problema

Além das restaurações antigas, hábitos cada vez mais comuns na rotina moderna também podem comprometer a saúde bucal. O consumo frequente de bebidas gaseificadas e alimentos ácidos tornam os dentes mais vulneráveis ao desgaste e às fraturas.

“A longo prazo, esses fatores alteram o pH da cavidade oral provocando a desmineralização do esmalte e, consequentemente, o enfraquecimento dos dentes, que começam a quebrar e pode chegar até à perda dentária”, afirma a implantodontista.

Outro fator apontado pela especialista é o impacto do estresse na saúde bucal. Quadros de ansiedade podem desencadear bruxismo e apertamento dentário, condições que submetem os dentes a uma carga excessiva de força.

“A ansiedade pode levar a um tensionamento inconsciente da mandíbula, criando um ciclo vicioso: o estresse provoca o bruxismo, que gera dores e desconforto, intensificando ainda mais a ansiedade. Além disso, a má qualidade do sono, comum em momentos de tensão, pode tanto ser consequência da ansiedade quanto um fator que agrava o quadro”, explica Adriana Morosini.

Reabilitação após a perda dentária

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgados em 2019, mostram a dimensão do problema da perda dentária no país. Cerca de 33% dos brasileiros com mais de 18 anos utilizam algum tipo de prótese dentária, enquanto 8,9% já perderam todos os dentes.

Para os pacientes que já sofreram perdas dentárias, a especialista destaca a importância da reabilitação precoce para preservar a função mastigatória, a estética e a qualidade de vida.

Segundo Adriana Morosini, os avanços tecnológicos permitiram o desenvolvimento de técnicas mais precisas e menos invasivas para a instalação de implantes dentários. Entre elas está a cirurgia guiada por planejamento digital, realizada a partir de exames de imagem e escaneamento intraoral.

“O paciente faz uma tomografia e a partir desse exame, todo planejamento é feito de modo virtual. O especialista seleciona posição, tamanho, comprimento e quantidade dos implantes de forma precisa e, após o planejamento ser aprovado, é planejado um guia cirúrgico a partir de um escaneamento intraoral do paciente. A cirurgia é minimamente invasiva, sem corte, indolor e rápida, feita em aproximadamente 15 e 20 minutos”, detalha a implantodontista.

Para a dentista Adriana Morosini, a principal estratégia continua sendo a prevenção. Consultas periódicas ao dentista permitem identificar desgastes, infiltrações e restaurações comprometidas antes que evoluam para fraturas mais graves ou para a perda dos dentes.

Adriana Morosini é cirurgiã dentista e implantodontista.

Informações: @dra.adrianamorosini