Setembro Amarelo reforça importância de reconhecer sinais de sofrimento emocional

Djenane Mendonca psicologa clinica arteterapeuta e palestrante CREDITO Nicoli Mazzarolo 2 scaled

Psicóloga explica quando ansiedade e tristeza deixam de ser respostas naturais e passam a exigir atenção e cuidado especializado

A saúde mental é uma questão de saúde pública e seus impactos alcançam diferentes dimensões da vida. Durante o Setembro Amarelo, campanha de conscientização e prevenção do suicídio, o tema ganha ainda mais espaço no debate público. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, sem considerar casos subnotificados, que podem elevar a estimativa para mais de 1 milhão de ocorrências. No Brasil, são registrados cerca de 14 mil casos por ano, o equivalente a aproximadamente 38 mortes por dia.

Para a psicóloga clínica, arteterapeuta e palestrante Djenane Mendonça, reconhecer mudanças no comportamento e na forma como uma pessoa se relaciona com a própria rotina pode ser fundamental para identificar situações de sofrimento emocional. “A ansiedade é uma emoção protetiva. O sinal de alerta aparece quando temos reações desproporcionais aos acontecimentos da vida, como um sentimento constante de que algo ruim vai acontecer, excesso de medo ou angústia. A pessoa pode começar a evitar situações, apresentar pensamentos catastróficos, reduzir a experiência social e se isolar”, explica.

Quando o sofrimento começa a aparecer no corpo

Nem sempre os sinais de ansiedade e depressão são percebidos inicialmente como questões emocionais. Segundo a especialista Djenane Mendonça, que é coordenadora da Alma Psicologia e Arteterapia, o sofrimento psíquico também pode se manifestar por meio de sintomas físicos.

“A psique também dá sinais no corpo. A pessoa pode apresentar sintomas gastrointestinais, alterações na pele e outras manifestações físicas diante de situações de estresse. Por isso, é importante observar o conjunto de mudanças e não olhar para um sintoma de forma isolada”, afirma.

A especialista ressalta ainda que a angústia, muitas vezes identificada como uma dor no peito, pode funcionar como um sinal de que algo na rotina ou nas relações precisa ser revisto. “A angústia é uma dor que aperta e também pode ser um chamado para que a pessoa observe como está vivendo. É importante identificar quais são os ambientes estressores, os contextos e as situações que estão desencadeando esse processo. Muitas vezes, o sintoma é uma comunicação da psique de que alguma transformação precisa acontecer na forma de viver e nas escolhas”, destaca.

Família e rede de apoio têm papel importante

O ambiente em que a pessoa está inserida também pode influenciar seu estado emocional. Relações familiares disfuncionais, conflitos e outros contextos de estresse podem contribuir para o agravamento de quadros de ansiedade e depressão.

Para a psicóloga Djenane Mendonça, um dos primeiros passos é compreender que o sofrimento não define quem está passando por ele. “É importante reconhecer que alterações como irritabilidade, falta de energia e prazer para realizar tarefas da vida, comportamento evitativo e isolamento não dizem respeito à personalidade da pessoa, mas refletem sofrimento emocional. E, a partir disso, buscar ajuda, falar sobre o que está acontecendo com um psicólogo, um psiquiatra e com pessoas da sua rede de apoio em quem confia”, orienta.

O acolhimento também exige cuidado para que a pessoa não seja reduzida ao seu comportamento ou ao diagnóstico. “Precisamos aprender a não identificar a pessoa com o sintoma. Ela está apresentando determinado comportamento ou padrão porque existe algo acontecendo com ela. Escutar o outro também passa por escutar a si mesmo e reconhecer a própria vulnerabilidade. Quando a pessoa consegue olhar para as próprias questões, ela também desenvolve uma escuta mais amorosa para o outro”, afirma.

Onde buscar ajuda

A psicóloga destaca que o acompanhamento profissional pode ser buscado tanto na rede privada quanto nos serviços públicos de saúde, incluindo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as clínicas-escola de universidades que oferecem atendimento psicológico.

Em situações de sofrimento intenso ou quando há necessidade de conversar imediatamente, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito, sigiloso e anônimo pelo número 188, 24 horas por dia.

“Não é preciso guardar tudo sozinho. Buscar ajuda é o início de uma mudança e pode ser o convite para uma transformação importante na vida”, ressalta a psicóloga e arteterapeuta Djenane Mendonça.

Djenane Mendonça é psicóloga clínica e arteterapeuta, com atuação voltada ao atendimento de adultos e idosos. Também é palestrante, especialista em traumas complexos e transtornos mentais, possui expertise em saúde mental, burnout, depressão, ansiedade e ludomania (vício em apostas). Também atua no tratamento de transtornos psicossomáticos, luto, dependência química e questões relacionadas às relações familiares e à conjugalidade. Desenvolve seu trabalho a partir da abordagem analítica, integrando a arteterapia como ferramenta terapêutica. É palestrante e coordenadora da Alma Psicologia e Arteterapia, clínica no RioMar Trade Center, no Recife (PE), que reúne uma equipe multidisciplinar de sete profissionais de Psicologia dedicados ao cuidado em saúde mental.